O kwanza angolano voltou hoje a sofrer uma depreciação, desta vez de 1,7%, face ao euro, abaixo das limitações introduzidas pelo Banco Nacional de Angola (BNA) para travar a especulação cambial.

Desde que a moeda europeia passou a ser a referência para o mercado de Angola, no novo regime flutuante cambial, a 09 de Janeiro, a moeda angolana já acumula uma depreciação de 28% para o euro, que agora vale 258,038 kwanzas na compra (pelos clientes), e 20% para o dólar, que passa a valer 207,6 kwanzas, segundo cálculos feitos pela Lusa com base nas novas taxas cambiais divulgadas hoje pelo BNA.

Estas taxas de câmbio resultam do quarto leilão de divisas efectivado pelo BNA em 2018, realizado hoje em Luanda e no qual participaram 26 bancos, os quais compraram a totalidade do montante colocado à disposição, de 192,4 milhões de euros, anunciou ainda o banco central.

Contribuíram para o apuramento da taxa de câmbio de referência 18 dos bancos participantes, tendo a taxa mais alta apresentada sido de 258,780 kwanzas – por cada euro – e a mais baixa de 254,213 kwanzas.

Trata-se do segundo leilão consecutivo em que a depreciação do kwanza face ao euro fica abaixo dos 2%. Nos dois leilões concluídos anteriormente a estes, o valor da depreciação, em cada, foi superior a 10%, para o euro (e por consequência para o dólar norte-americano).

No leilão de divisas de hoje foram aplicadas, pela segunda vez as novas regras, anunciadas há mais de uma semana pelo governador do BNA, José de Lima Massano, alterando os limites das propostas que podiam ser apresentadas pelos bancos, que depois são utilizadas para formar a taxa de câmbio do kwanza face ao euro.

A 18 de Janeiro, um outro leilão ao abrigo deste modelo – em que os bancos apresentam propostas de compra de divisas em kwanzas – foi suspenso pelo BNA, por as propostas terem ultrapassado o limite máximo (da cotação) definido pelo banco central para estas vendas, acima dos 300 kwanzas por cada euro.

Na reacção, o BNA convocou os bancos comerciais para uma reunião, no dia seguinte, e revelou os novos contornos do modelo de leilão de divisas (euros), em que as propostas da “margem máxima” sobre a taxa de referência – ou seja o valor que os bancos podem colocar como apreciação ou depreciação da taxa de câmbio -, “não pode ser superior nem inferior a 2%”.

“Significa que em qualquer um dos leilões, a variação máxima que poderá acontecer será de 2%, não mais, não menos”, avançou o governador do BNA, no final daquela reunião.

No leilão realizado hoje, as divisas vendidas destinaram-se à aquisição de matéria-prima, peças, acessórios e equipamentos (50% do total de 192,4 milhões de euros), seguros, telecomunicações, transportes e informática (20%), agricultura, agropecuária, pescas e mar (15%) e comércio geral (15%).

Além das limitações impostas à apresentação de propostas nos leilões, para evitar fortes depreciações súbitas, e numa aparente medida para travar a especulação com o novo modelo de aquisição de divisas, o banco central mexeu na semana passada na componente de venda de divisas aos clientes dos bancos comerciais, em notas, que deixou de ser de câmbio livre.

“Nós tínhamos até aqui uma margem máxima de 3% para as operações comerciais e tínhamos, para as notas, um câmbio livre. Nós estamos a unificar os mercados, de divisas, de notas, e doravante (…) a margem máxima de comercialização é de 2% sobre a taxa de câmbio de referência que é publicada pelo BNA”, esclareceu anteriormente o governador do banco central.

No modelo cambial anterior, até 09 de Janeiro, a cotação era fixada directamente pelo BNA, com o kwanza indexado ao dólar norte-americano.

O novo regime flutuante cambial começou a ser aplicado numa altura em que as Reservas Internacionais Líquidas do país estão em mínimos históricos, inferiores a 12.000 milhões de euros, devido à crise da cotação do petróleo.